Votei agora, são 15.30 do Domingo mais frio que se possa imaginar, olho o sítio da meteorologia na net e esta informa que estamos com 4º de mínima e 10º de máxima nesta capital do Reino, não acredito, estão enganados, perto do zero seria mais realista, deve ser do vento, dizem que parece mais frio, possivelmente verdadeiro.
Os dados da minha observação na ida e vinda às assembleias de voto são contraditórios, por um lado só jovens na casa dos trinta ou "entradotes" nas franjas dos "sessentas", onde estão os ditos de meia-idade? As aclamadas forças vivas desta nação que mais tem a perder ou ganhar com isto tudo.
Nos tempos em que a participação nas mesas era pura militância cívica tinha gosto em participar, hoje não quero ser confundido com os que por falta de convicções e só por necessidade, sempre são mais de setenta euros e a vida está difícil, se mascaram de activos agentes políticos, valha-nos S. Barbara, não vale enganar, a realidade é o que é.
A baixa participação dos eleitores e o sentido do seu voto vão permitir uma fotografia nítida do país real, se votarem como espero só quatro milhões de portugueses, o que dá uma abstenção nunca vista de sessenta por cento. Assim, teremos seguramente dois em Cavaco, milhão e meio em Alegre, quinhentos mil em Lopes do PC., sendo que não vejo por que raio deve o Nobre ter mais do que o Garcia Pereira nas últimas eleições (30.000), mas mesmo assim, sendo simpático, será um milagre que chegue ao dinheiro, isto é, aos cinco por centos dos votos, ou seja, na casa dos duzentos mil.
É muito à “pele” nestas minhas contas, teremos uma segunda volta muito interessante, com Alegre a fazer das tripas coração com a meta à vista, se este povo não votar em massa em Cavaco, e porque votaria? Se o resultado for definitivo desde já, não vou imigrar, seguramente será mais agradável ver esta direita reaccionária dar com os “burros” na água dentro de pouco tempo. É o que se diz quando alguém parece que ganha mas na realidade até perde e muito.
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domingo, 23 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Mesmo disfuncional, não cai.
Para bem e para mal, é nele e com ele que vamos viver. (o regime) As campanhas eleitorais implicam sempre demagogia e retórica ocas. Nesta eleição há dois campos - o do actual Presidente da República e o dos seus adversários das várias esquerdas.
Começando por estes e estas: as ideologias que justificaram e glorificaram os maiores desastres políticos e económico-sociais do país, autênticas ideias de destruição em massa, são as vulgatas comunistas, esquerdistas e socialistas radicais. Estas e os seus portadores são responsáveis pelo empobrecimento e a descapitalização das pessoas, das empresas e do país. É escandaloso que se apresentem como defensores da "independência nacional", cujas bases destruíram.
Cavaco Silva terá os ónus e custos de quem tem uma longa vida política com responsabilidades de primeiro plano no governo e no Estado. Incluindo más companhias, entre correlegionários e próximos, os jogos implícitos na política democrática e na magistratura de influência, pecados de omissão e erros de gestão.
Mas, com as limitações acima indicadas, o Presidente revelou patriotismo, realismo, idoneidade, capacidade profissional e experiência. Perante as alternativas - e os alternativos -, por estimáveis que sejam, não ficam dúvidas.
por Jaime Nogueira Pinto, Publicado em 17 de Janeiro de 2011 no jornal I
Começando por estes e estas: as ideologias que justificaram e glorificaram os maiores desastres políticos e económico-sociais do país, autênticas ideias de destruição em massa, são as vulgatas comunistas, esquerdistas e socialistas radicais. Estas e os seus portadores são responsáveis pelo empobrecimento e a descapitalização das pessoas, das empresas e do país. É escandaloso que se apresentem como defensores da "independência nacional", cujas bases destruíram.
Cavaco Silva terá os ónus e custos de quem tem uma longa vida política com responsabilidades de primeiro plano no governo e no Estado. Incluindo más companhias, entre correlegionários e próximos, os jogos implícitos na política democrática e na magistratura de influência, pecados de omissão e erros de gestão.
Mas, com as limitações acima indicadas, o Presidente revelou patriotismo, realismo, idoneidade, capacidade profissional e experiência. Perante as alternativas - e os alternativos -, por estimáveis que sejam, não ficam dúvidas.
por Jaime Nogueira Pinto, Publicado em 17 de Janeiro de 2011 no jornal I
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
não me desligar do “bando”
Seguindo a passada dos opinadores de serviço, isto é, não me desligar do “bando” como nas corridas de meio fundo, devo acrescentar ao tom geral um ângulo de análise sobre o qual ainda ninguém elaborou.
Na primeira eleição de Mário Soares, já existiam várias cabeças muito brilhantes no PS, apresentou-se também um “irmão inimigo” de seu nome Salgado Zenha. Se o Soares tivesse perdido as eleições, seguramente que o destino do país seria bem diferente, é ciência segura que as duas correntes iriam cada uma para seu lado. E que muito boa gente não chegaria nunca a lado algum, muito menos a ministro.
Só um milagre salva o país deste calvário, estamos perante um dilema, cadeia ou hospital? Venha o diabo e escolha.
O Alegre vai seguramente fazer a vida negra a muito boa gente dentro do PS, o que até não é nada mau, depois da derrota bem amarga e bem merecida. Não há quem diga a este génio da comunicação oral, para deixar o “fantasma em casa” e escrever e ler uns poemas, é o melhore que sabe e pode fazer.
O PS que fabricou este candidato está podre, pode ser tudo menos um partido político, aquilo é de alguns, são os “pais de Alegre” mais os que “deixam correr o marfim”, são todos culpados, devem ser julgados e condenados pelo mal que conscientemente provocam.
Eles fabricam a seu belo prazer os líderes, os candidatos para isto e aquilo, eles jogam no mal menor, não querem brigas, o tempo é dinheiro e este é poder, a máquina não pára de auto-manter-se, é uma lástima, raramente acertam.
É só definhar em simpatia popular e ampliar o castramento de vontades. É lamentável.
Na primeira eleição de Mário Soares, já existiam várias cabeças muito brilhantes no PS, apresentou-se também um “irmão inimigo” de seu nome Salgado Zenha. Se o Soares tivesse perdido as eleições, seguramente que o destino do país seria bem diferente, é ciência segura que as duas correntes iriam cada uma para seu lado. E que muito boa gente não chegaria nunca a lado algum, muito menos a ministro.
Só um milagre salva o país deste calvário, estamos perante um dilema, cadeia ou hospital? Venha o diabo e escolha.
O Alegre vai seguramente fazer a vida negra a muito boa gente dentro do PS, o que até não é nada mau, depois da derrota bem amarga e bem merecida. Não há quem diga a este génio da comunicação oral, para deixar o “fantasma em casa” e escrever e ler uns poemas, é o melhore que sabe e pode fazer.
O PS que fabricou este candidato está podre, pode ser tudo menos um partido político, aquilo é de alguns, são os “pais de Alegre” mais os que “deixam correr o marfim”, são todos culpados, devem ser julgados e condenados pelo mal que conscientemente provocam.
Eles fabricam a seu belo prazer os líderes, os candidatos para isto e aquilo, eles jogam no mal menor, não querem brigas, o tempo é dinheiro e este é poder, a máquina não pára de auto-manter-se, é uma lástima, raramente acertam.
É só definhar em simpatia popular e ampliar o castramento de vontades. É lamentável.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
"triste hábito de ser reverente"
Não é do BPN que quero agora tratar. Mas, como tudo nesta vida, este tema não anda muito longe de considerações semelhantes. O bom povo português tem o triste hábito de ser reverente onde pensa que existe poder, e raramente questiona de onde vem a legitimidade desta ou daquela atitude ou comportamento, e em especial dos que por princípio devem ser os garantes dos direitos e da legalidade.
Há muito que observo os presidentes das assembleias de freguesia e mesmo das câmaras afirmarem que o cidadão no uso da palavra, no tempo reservado ao público, não poderia manifestar-se sobre os temas discutidos ou em discussão nas respectivas assembleias.
Afirmam com frequência ser esta autoridade exercida nos termos da lei.
Como qualquer aluno de direito sabe, o Código Civil no artigo 6 afirma “que a ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecida”.
Visto o regimento, conjunto de normas que regulam o funcionamento da freguesia, só no seu artigo 22 (Funcionamento das Sessões) no número 2, se refere que o público dispõe de um período não superior a 45 minutos e que o uso da palavra será concedido pelo respectivo presidente da mesa, mediante prévia inscrição.
No artigo seguinte, 23 (Uso da Palavra) no ponto 1.5 concede que o tempo de intervenção não pode exceder (5) cinco minutos por cada interveniente e por uma só vez. Uma norma curiosa está no ponto (6) do mesmo artigo que permite que todos os números anteriores podem ser alterados por consenso da assembleia ou concessão da mesa. Não é aqui que se encontram as tais limitações ao uso da palavra pelo público.
Consultada a Lei nº 169/99 que estabelece o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e freguesias, no artigo 84 nº 1 determina que as sessões dos órgãos deliberativos das autarquias são públicas, no seu nº 4 esclarece que “a nenhum cidadão é permitido, sob qualquer pretexto, intrometer-se nas discussões e aplaudir ou reprovar as opiniões emitidas, as votações feitas e as deliberações tomadas…” e no seu nº 6 se afirma que nestas reuniões “há um período para a intervenção do público, durante o qual lhe serão prestados os esclarecimentos solicitados, nos termos definidos no regulamento.” (?)
Creio ser aqui que reside a possível confusão dos presidentes das assembleias sobre a limitação que normalmente impõem ao público sobre o âmbito e os termos das suas intervenções. Fica claro que o público, massa de gente, não se pode manifestar quando assiste aos trabalhos, nada mais é afirmado.
Diferente é um cidadão no uso do seu legítimo direito “solicitar esclarecimentos” que lhe devem ser prestados nos termos do regulamento, como a Lei obriga.
Antes de continuarem no mesmo erro devem os que para tal são eleitos, estudar ou consultar a Lei, afim de evitarem o recurso à responsabilidade pessoal prevista no artigo 97 da mesma lei no seu nº1, que pune comportamentos dolosos dos agentes e no nº2 alarga a responsabilidade solidariamente à própria autarquia.
Não interessa a ninguém polémica vã, nem é esse o meu propósito, mas como pude verificar, existe mesmo a convicção em alguns membro das assembleias, para além do presidente, do acerto e da legalidade deste entorse à lei, que com frequência se verifica, de limitar o exercício mais elementar em democracia, o direito de informar e ser informado e em especial quando envolvem eleitores e eleitos.
Há muito que observo os presidentes das assembleias de freguesia e mesmo das câmaras afirmarem que o cidadão no uso da palavra, no tempo reservado ao público, não poderia manifestar-se sobre os temas discutidos ou em discussão nas respectivas assembleias.
Afirmam com frequência ser esta autoridade exercida nos termos da lei.
Como qualquer aluno de direito sabe, o Código Civil no artigo 6 afirma “que a ignorância ou má interpretação da lei não justifica a falta do seu cumprimento nem isenta as pessoas das sanções nela estabelecida”.
Visto o regimento, conjunto de normas que regulam o funcionamento da freguesia, só no seu artigo 22 (Funcionamento das Sessões) no número 2, se refere que o público dispõe de um período não superior a 45 minutos e que o uso da palavra será concedido pelo respectivo presidente da mesa, mediante prévia inscrição.
No artigo seguinte, 23 (Uso da Palavra) no ponto 1.5 concede que o tempo de intervenção não pode exceder (5) cinco minutos por cada interveniente e por uma só vez. Uma norma curiosa está no ponto (6) do mesmo artigo que permite que todos os números anteriores podem ser alterados por consenso da assembleia ou concessão da mesa. Não é aqui que se encontram as tais limitações ao uso da palavra pelo público.
Consultada a Lei nº 169/99 que estabelece o quadro de competências, assim como o regime jurídico de funcionamento, dos órgãos dos municípios e freguesias, no artigo 84 nº 1 determina que as sessões dos órgãos deliberativos das autarquias são públicas, no seu nº 4 esclarece que “a nenhum cidadão é permitido, sob qualquer pretexto, intrometer-se nas discussões e aplaudir ou reprovar as opiniões emitidas, as votações feitas e as deliberações tomadas…” e no seu nº 6 se afirma que nestas reuniões “há um período para a intervenção do público, durante o qual lhe serão prestados os esclarecimentos solicitados, nos termos definidos no regulamento.” (?)
Creio ser aqui que reside a possível confusão dos presidentes das assembleias sobre a limitação que normalmente impõem ao público sobre o âmbito e os termos das suas intervenções. Fica claro que o público, massa de gente, não se pode manifestar quando assiste aos trabalhos, nada mais é afirmado.
Diferente é um cidadão no uso do seu legítimo direito “solicitar esclarecimentos” que lhe devem ser prestados nos termos do regulamento, como a Lei obriga.
Antes de continuarem no mesmo erro devem os que para tal são eleitos, estudar ou consultar a Lei, afim de evitarem o recurso à responsabilidade pessoal prevista no artigo 97 da mesma lei no seu nº1, que pune comportamentos dolosos dos agentes e no nº2 alarga a responsabilidade solidariamente à própria autarquia.
Não interessa a ninguém polémica vã, nem é esse o meu propósito, mas como pude verificar, existe mesmo a convicção em alguns membro das assembleias, para além do presidente, do acerto e da legalidade deste entorse à lei, que com frequência se verifica, de limitar o exercício mais elementar em democracia, o direito de informar e ser informado e em especial quando envolvem eleitores e eleitos.
domingo, 2 de janeiro de 2011
A minha mensagem de ano novo.
O ano 2011 já cá está.
É o primeiro domingo.
Chegou como se anunciasse a vinda de um Dom Sebastião. Num feio e triste dia de nevoeiro que cobre esta nossa Lisboa e arredores. Nem tudo o que começa mal deve acabar mal. O sol teima em romper, são as forças do tempo em harmonia com os seus ciclos, o abraço do quente e radioso memo que fugaz é mais sentido com mau tempo.
As crenças velhas pouco acrescentam, são poucos os que guardam as memórias colectivas e seus significados. O saber de séculos perde com a existência moderna dos segundos em que se volatilizam as vidas sem sentido.
Meia culpa de um passado que pariu tamanho presente, os jornalistas confessam esgotados os mandarins de serviço por desinteressantes, culpam-se sem remorso de não haver renovação, almas novas e lavadas, que os próprios castram sem vergonha, por dar trabalho e risco profissional.
Pouco há a acrescentar sobre as nuvens negras que pairam sobre as nossas vidas, cada um com as suas angústias, o seu passado, o seu orçamento, terá seguramente o seu futuro com mais ou menos acerto, o conformismo é geral “o que for se verá”. É o credo.
São os pequenos mundos e a sua própria natureza que, somados, formam o destino colectivo que todos querem feliz e sem mágoa, mas raros são os que querem contribuir.
Janeiro é mês “longo” para quem tem carteira “curta”, é estranho que só se vislumbre receios, parece que as chagas da alma têm vergonha do futuro, é um sentir desnecessário, desconfortável, pegajoso.
Seria uma bênção acreditar num Sebastião qualquer, ricos são os que constroem mesmo que só miragens, ser meio louco dá jeito nas calmarias tenebrosas, dá para não definhar sem solução, estiolar sem calor, caminhar nas trevas da desesperança, extinguir-se sem vil tristeza, lutando caminhando e nunca parando.
Se ainda vai haver um imenso Portugal como prometido na canção?
Duvido.
De épico só a grandeza do roubo, somos um imenso BPN.
Bom ano para todos.
É o primeiro domingo.
Chegou como se anunciasse a vinda de um Dom Sebastião. Num feio e triste dia de nevoeiro que cobre esta nossa Lisboa e arredores. Nem tudo o que começa mal deve acabar mal. O sol teima em romper, são as forças do tempo em harmonia com os seus ciclos, o abraço do quente e radioso memo que fugaz é mais sentido com mau tempo.
As crenças velhas pouco acrescentam, são poucos os que guardam as memórias colectivas e seus significados. O saber de séculos perde com a existência moderna dos segundos em que se volatilizam as vidas sem sentido.
Meia culpa de um passado que pariu tamanho presente, os jornalistas confessam esgotados os mandarins de serviço por desinteressantes, culpam-se sem remorso de não haver renovação, almas novas e lavadas, que os próprios castram sem vergonha, por dar trabalho e risco profissional.
Pouco há a acrescentar sobre as nuvens negras que pairam sobre as nossas vidas, cada um com as suas angústias, o seu passado, o seu orçamento, terá seguramente o seu futuro com mais ou menos acerto, o conformismo é geral “o que for se verá”. É o credo.
São os pequenos mundos e a sua própria natureza que, somados, formam o destino colectivo que todos querem feliz e sem mágoa, mas raros são os que querem contribuir.
Janeiro é mês “longo” para quem tem carteira “curta”, é estranho que só se vislumbre receios, parece que as chagas da alma têm vergonha do futuro, é um sentir desnecessário, desconfortável, pegajoso.
Seria uma bênção acreditar num Sebastião qualquer, ricos são os que constroem mesmo que só miragens, ser meio louco dá jeito nas calmarias tenebrosas, dá para não definhar sem solução, estiolar sem calor, caminhar nas trevas da desesperança, extinguir-se sem vil tristeza, lutando caminhando e nunca parando.
Se ainda vai haver um imenso Portugal como prometido na canção?
Duvido.
De épico só a grandeza do roubo, somos um imenso BPN.
Bom ano para todos.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
DUAS CONFRARIAS
“Homens e mulheres formam duas confrarias, armadas uma contra a outra, que se adoram, mas que se combatem”. Mantegazza
Paolo Mantegazza (Monza, 31 de Outubro de 1831 — San Terenzo, 28 de Agosto de 1910) foi um neurologista, fisiologista e antropólogo italiano, notável por ter isolado a cocaína da coca, que utilizou em experiências, investigando os seus efeitos anestésicos em humanos. Também é conhecido como escritor de ficção.(WIK)
Não há nada que resista ao tempo. Como uma grande duna que se vai formando grão a grão, o esquecimento cobre tudo. (Miguel Torga)
A memória, esta grande amiga, é selectiva e ainda bem. Como seria a vida sem o esquecimento? Muito triste, seguramente.
Esquecer não é perdoar, as mais das vezes é um arrumar quietinho para que mais dano não venha ao mundo. Vem a propósito este enquadramento pela seguramente triste guerra que se adivinha no nosso burgo, a acreditar nos rumores que se deixam ouvir aqui e ali. Não sei se as chancelarias já informaram os respectivos governos, mas que o facto é da maior relevância política no contexto das nações já ninguém duvida.
Ninguém ainda especulou quanto a economia nacional sofrerá com o conflito magno nas terras do rei feliz e regalado. Que em tempos idos (como diria o Malato da TV) já foi muito feliz em Odivelas, quando junto dos roliços panelões e panelas se perfumava de açúcares da bela marmelada, alva como os leitos das formosas donzelas que aí pululavam. É neste cenário de sonho das mil e uma noite medievo que o drama espreita matreiro o próspero torrão pátrio.
Só pode ser uma questão de Estado para mobilizar as bravas gentes contra os vis profanos que ousaram estabelecer-se como confraria nos domínios de suas senhorias investidas do poder legítimo e tutelar sobre tais questões. Viva a coragem de nobre gente que tão bravamente vaí repor a legalidade democrática. Viva a marmelada, a mui bela e furmosa alva, a quem se vai oferecer os nossos corações. Guerra ao infiéis.VIVA.
Paolo Mantegazza (Monza, 31 de Outubro de 1831 — San Terenzo, 28 de Agosto de 1910) foi um neurologista, fisiologista e antropólogo italiano, notável por ter isolado a cocaína da coca, que utilizou em experiências, investigando os seus efeitos anestésicos em humanos. Também é conhecido como escritor de ficção.(WIK)
Não há nada que resista ao tempo. Como uma grande duna que se vai formando grão a grão, o esquecimento cobre tudo. (Miguel Torga)
A memória, esta grande amiga, é selectiva e ainda bem. Como seria a vida sem o esquecimento? Muito triste, seguramente.
Esquecer não é perdoar, as mais das vezes é um arrumar quietinho para que mais dano não venha ao mundo. Vem a propósito este enquadramento pela seguramente triste guerra que se adivinha no nosso burgo, a acreditar nos rumores que se deixam ouvir aqui e ali. Não sei se as chancelarias já informaram os respectivos governos, mas que o facto é da maior relevância política no contexto das nações já ninguém duvida.
Ninguém ainda especulou quanto a economia nacional sofrerá com o conflito magno nas terras do rei feliz e regalado. Que em tempos idos (como diria o Malato da TV) já foi muito feliz em Odivelas, quando junto dos roliços panelões e panelas se perfumava de açúcares da bela marmelada, alva como os leitos das formosas donzelas que aí pululavam. É neste cenário de sonho das mil e uma noite medievo que o drama espreita matreiro o próspero torrão pátrio.
Só pode ser uma questão de Estado para mobilizar as bravas gentes contra os vis profanos que ousaram estabelecer-se como confraria nos domínios de suas senhorias investidas do poder legítimo e tutelar sobre tais questões. Viva a coragem de nobre gente que tão bravamente vaí repor a legalidade democrática. Viva a marmelada, a mui bela e furmosa alva, a quem se vai oferecer os nossos corações. Guerra ao infiéis.VIVA.
domingo, 10 de outubro de 2010
“Peço Justiça”.
“Peço Justiça”. É com esta figura que se retrata como indigno e inútil o papel dos jovens advogados em oficiosas. É uma farsa de defesa, é certo, praticada por uns, aceite e consentida, e à vista de todos. Como é possível uma sociedade que se pretende do primeiro mundo ter-se degradado a um nível tão miserável, que não respeita os mais desprotegidos da sociedade por debilidade económica e social.
O conhecimento generalizado desta situação é agravado pela indiferença do responsável em primeira linha incumbido de contrariar que tais situações se perpetuem: o Estado. Mas este age da pior forma possível, permitir que se cometa uma injustiça é um mais grave do que não fazer justiça, como ensina Cícero.
Citando-o, também afirmava - "o homem, porque é dotado de razão pela qual compreende a relação de causa e consequência e pode estabelecer analogias, ligando e associando o presente e o futuro, compreende facilmente o curso de toda a vida, fazendo os preparativos necessários para a sua conduta".
E ainda. "A grandeza de alma resulta de um espírito, pela natureza bem formado, não desejando submeter-se a ninguém, excepto àquele que estabelece as normas de conduta, ou é o mestre da verdade, ou que para o bem comum governa segundo a lei e a justiça".
É a partir destes dois elementos que se forja e se molda a honestidade.
Não há grandes mestres vivos, é certo, estão contudo perto de nós e disponíveis a ajudar, encontram-se em qualquer biblioteca, é com eles que podemos compreender o que fazer perante uma ideia pouco clara ou incompreensível, segundo a teoria do método de Descartes, devemos duvidar sempre em tais circunstâncias. Depois é só seguir o Mestre, verificar as evidências, analisar as unidades mais simples, agrupar as unidades estudadas num conjunto coerente e elaborar as conjecturas.
Assim como sábias são as suas palavras quando afirma que os homens são capazes dos maiores vícios e das mais nobres virtudes, e que aqueles que andam mais devagar podem chegar mais longe se seguirem sempre um “direito caminho” do que aqueles que correm e se desviam desse propósito.
Acredito vivamente na necessidade de mudança, prevenir e aprender com os melhores, preparar o embate do futuro, não devemos permitir que nos coloquem numa situação sem saída.
Seguramente em tal situação só nos restaria a humilhação de “pedir clemência”.
FDL
armando ramalho
Lisboa, Outubro de 2010
O conhecimento generalizado desta situação é agravado pela indiferença do responsável em primeira linha incumbido de contrariar que tais situações se perpetuem: o Estado. Mas este age da pior forma possível, permitir que se cometa uma injustiça é um mais grave do que não fazer justiça, como ensina Cícero.
Citando-o, também afirmava - "o homem, porque é dotado de razão pela qual compreende a relação de causa e consequência e pode estabelecer analogias, ligando e associando o presente e o futuro, compreende facilmente o curso de toda a vida, fazendo os preparativos necessários para a sua conduta".
E ainda. "A grandeza de alma resulta de um espírito, pela natureza bem formado, não desejando submeter-se a ninguém, excepto àquele que estabelece as normas de conduta, ou é o mestre da verdade, ou que para o bem comum governa segundo a lei e a justiça".
É a partir destes dois elementos que se forja e se molda a honestidade.
Não há grandes mestres vivos, é certo, estão contudo perto de nós e disponíveis a ajudar, encontram-se em qualquer biblioteca, é com eles que podemos compreender o que fazer perante uma ideia pouco clara ou incompreensível, segundo a teoria do método de Descartes, devemos duvidar sempre em tais circunstâncias. Depois é só seguir o Mestre, verificar as evidências, analisar as unidades mais simples, agrupar as unidades estudadas num conjunto coerente e elaborar as conjecturas.
Assim como sábias são as suas palavras quando afirma que os homens são capazes dos maiores vícios e das mais nobres virtudes, e que aqueles que andam mais devagar podem chegar mais longe se seguirem sempre um “direito caminho” do que aqueles que correm e se desviam desse propósito.
Acredito vivamente na necessidade de mudança, prevenir e aprender com os melhores, preparar o embate do futuro, não devemos permitir que nos coloquem numa situação sem saída.
Seguramente em tal situação só nos restaria a humilhação de “pedir clemência”.
FDL
armando ramalho
Lisboa, Outubro de 2010
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